1- Scott, Joan. O Gênero como categoria útil para a análise histórica. (DHnet ou REF, texto via internet / a ser traduzido)
terça-feira, 13 de maio de 2008
Grupo de Estudos Maio/2008
1- Scott, Joan. O Gênero como categoria útil para a análise histórica. (DHnet ou REF, texto via internet / a ser traduzido)
Fala do Plur@l na Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e População Capixaba que nos acompanha pela TV Assembléia,
Nos últimos 30 anos o mundo viu surgir na esteira da globalização os movimentos de libertação. As manifestações de 1968 tornaram possível que eu, hoje, um jovem acadêmico de Letras – que tem procurado pensar a sua existência e a dos seus párias – se instrumentalizasse para poder falar de si, tomar a vez e a voz de sujeito e, assim, pleitear o tratamento igualitário para a população de gueis, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis. Hoje é possível e, mais que isto, necessário, que nos organizemos para que a história não repita eventos lamentáveis e vergonhosos como o holocausto. Como anunciado, meu nome é Luiz Cláudio Kleaim, faço parte do Plur@l – Grupo de Diversidade Sexual, um programa de extensão vinculado à Universidade Federal do Espírito Santo.
Eu não poderia iniciar minha fala nesta Casa sem mencionar a importância da Carta dos Direitos Humanos, documento que completa no corrente os seus 60 anos e do qual o Brasil é seu signatário. Na carta consta o argumento de suma relevância para os Estados democráticos cuja concepção é de que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.”
Além da Carta dos Direitos Humanos, os princípios da igualdade, da liberdade e da fraternidade, sustentadores da república moderna, também foram os elementos com os quais se buscou pensar a democracia de direito na contemporaneidade.
Fazendo parte dessa tríade elementar da república moderna, nossa Carta Magna também buscou aplicar esses princípios por meio da isonomia e do tratamento de respeito à pluralidade na sociedade brasileira. Por conta disso, no nosso Estado de Direito, o exercício da cidadania saudável perpassa a igualdade de direitos e o dever de respeito à pluralidade.
Entretanto, Senhoras e Senhores Deputados, ainda hoje nos deparamos com um grande rol de violações de direitos humanos básicos e até os garantidos constitucionalmente (como os direitos civis e os sociais). Essas violações podem ser evidenciadas de variadas formas: execuções extrajudiciais, tortura e maus tratos, violência sexual, invasão de privacidade, detenção arbitrária, negação de oportunidades de emprego e educação, obstrução à saúde básica, constrangimento moral, xingamentos e morte.
Carta de Princípios do Plur@l
O Grupo tem a percepção de que localmente há carência de uma produção acadêmica acerca dessa temática, assim como ainda são pouco expressivas as organizações da sociedade civil que atuam na reivindicação de direitos e melhorias nos quadros de violência e discriminação por identidade de gênero e orientação sexual.
Também é mister a observância e a intervenção imediata de gestores públicos na aplicação de políticas que respeitem as diferenças, quanto as identidades de gênero, sexual, racial, geracional, de classe, étnica e corporal.
O Plur@l pretende ser uma interface entre a academia, sociedade civil organizada e poder público no que tange a avaliação, proposição, reflexão e implementação de ações que almejem uma sociedade respeitadora das diferenças de identidade sexual e de gênero. Quer constituir-se como um espaço de condensação e ação política, a partir da Universidade, sobre a temática da diversidade sexual.
O presente documento serve para explicitar os valores e crenças desse Coletivo, que por ora, possui vinculação estreita e direta com Universidade Federal do Espírito Santo, sob a forma de Programa de Extensão. Porém, o Plur@l poderá, mediante vontade dos seus integrantes, assumir outras formas de vinculação ou existência institucional.
O respeito aos princípios aqui estabelecidos é necessário para que o Grupo, por meio da atuação dos seus integrantes, construa discursos e práticas coerentes e também para coibir a veiculação indevida do Plur@l com ações e posicionamentos contrários à presente Carta.
Os nossos princípios são:
- A criação de espaços na Universidade que questionem a lógica dicotômica que predomina no entendimento da sexualidade e do gênero, por meio da transversalização da temática da diversidade sexual na produção e difusão do conhecimento;
- A promoção do diálogo e da intersecção entre os movimentos sociais comprometidos com o tema da diversidade sexual e a Universidade no sentido de por fim às opressões, discriminações, segregações e violência. Isso feito por meio da instrumentalização do saber técnico para a ação política cotidiana;
- A problematização do olhar dos movimentos sociais e dos agentes públicos para orientar práticas e contribuir com as suas ações políticas;
- A promoção de uma convivência menos violenta entre as singularidades, permitindo a produção e visibilidade das diferenças;
- A produção de estratégias coletivas de luta e de ampliação do espectro de liberdade e afirmação dos desejos e prazeres;
- A participação autônoma dos (as) integrantes do Plur@l por meio do respeito às falas, posicionamentos, escolhas político-ideológicas individuais e responsáveis;
- A incorporação da vivência pessoal das(os) integrantes à dinâmica do Grupo como modo de proposição política, pois entendemos que o diálogo entre o público e o privado é um caminho pertinente de atuação. Assim, as experiências individuais fazem parte da experiência coletiva e as subjetividades dos integrantes são contempladas na sua integralidade;
- O Plur@l não representa qualquer/quaisquer forma(s) de identidade(s) sexual(is), pois entendemos que a estereotipia e a fixidez produzem o cerceamento, a regulação e o controle dos corpos, desejos e prazeres;
- O Plur@l não é um espaço para práticas terapêuticas ou resolução de conflitos individuais, afetivos ou familiares relacionados questões de identidade sexual, de gênero e de orientação sexual;
- A dissolução e o fim do Plur@l são possibilidades pertinentes, podendo essa decisão acontecer a qualquer tempo, respeitando a metodologia de deliberação do Grupo;
- A revogação, alteração, acréscimo do conteúdo dessa Carta poderá ser feito a qualquer tempo quando o coletivo Plur@l assim o desejar.
Agenda maio/2008
09/05 - Reunião Executiva - 19h - Cemuni V - Ufes
10/05 - Reunião Enuds - 15h - Chat Uol
16/05 - Grupo de Estudos - 18h - Cemuni V - Ufes
17/05 - Reunião Executiva - 15h - Cemuni V - Ufes
19/05 - Audiência Pública Municipal “Vitória Sem Homofobia” com a Deputada Érika Kokay (PT-DF) - 18h30 - Câmara dos Vereadores de Vitória
30/05 - Grupo de Estudos - 18h - Cemuni V - Ufes
31/05 - Reunião Executiva - 15h - Cemuni V - Ufes
terça-feira, 15 de abril de 2008
Vídeo Beijaço
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Carta ao 6º Coneufes
▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ A nossa vontade de concretude
▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ ▪ Carta do Plur@l para o 6º Coneufes
O Plur@l – Grupo de Diversidade Sexual vem, por meio desta, justificar a sua não participação no 6º Congresso dos Estudantes da Ufes (Coneufes). Reconhecemos a importância desse espaço para a formulação de uma política estudantil democrática e sintonizada com as reais vontades das e dos estudantes, além ser um momento adequado para avaliar os rumos da política universitária, especialmente da Ufes. Porém, em virtude da nossa agenda, esta é a 2ª edição consecutiva do Coneufes na qual não estaremos presentes.
Por reconhecermos o Coneufes como um momento propício à revisão da pauta das organizações estudantis da Ufes, queremos, além de justificar a nossa ausência, garantir que as temáticas do gênero e da diversidade sexual façam parte das discussões desse evento. Entendemos que, mais do que aprovar posicionamentos, o Congresso também serve para que a entidade estudantil representativa máxima da universidade seja avaliada e preste contas das suas atividades.
No que toca ao tema do gênero e da diversidade sexual, consideramos pouco significativo o trabalho desenvolvido até aqui pelo Diretório Central dos Estudantes - DCE. Fazemos essa afirmação com base nas resoluções aprovadas no último Congresso, realizado em novembro de 2006, e listadas abaixo:
“47 – Reconhecer o Enuds como espaço legítimo do movimento estudantil nacional para a fomentação, troca de experiências e promoção de idéias pela luta contra a discriminação à livre expressão sexual ocorrida nas universidades brasileiras;
48 – Criação de seminários e espaços de formação sobre diversidade sexual em conjunto com o Grupo Plural (sic);
49 – Pela criminalização da homofobia. Não à violência contra homossexuais e transexuais, seja no âmbito da palavra ou da força física;
51 – Defesa de uma maior produção acadêmica acerca (sic) das questões de gênero, diversidade sexual e igualdade social em todas as áreas de conhecimento;
52 – Realizar debates sobre a descriminalização do aborto;
54 – Que o DCE participe das atividades promovidas pelo Fórum de Mulheres do ES;
55 – Contra a mercantilização do corpo feminino pela mídia;
56 – Não à violência contra a mulher;
57 – Pela criação de um grupo de estudo e trabalho no DCE que discuta as questões pertinentes às relações de gênero;
58 – Que todos os documentos produzidos pelo DCE e pelo movimento estudantil ocorra a diferenciação lingüística de gênero;”
Queremos ressaltar que o Diretório sempre esteve aberto ao diálogo e às nossas proposições. Desde a criação do grupo, em 2004, o DCE tem apoiado e legitimado as nossas ações. Por isso, avaliamos que o entrave na efetivação dessas diretrizes/posicionamentos (resol. nº 47, 49, 51, 55 e 56) e ações (resol. nº 48, 52, 54, 57 e 58) não se deve à existência de possíveis divergências político-ideológicas.
O Plur@l pode estar enganado quanto à compreensão de que o Diretório não foi eficaz no cumprimento dessas deliberações e por isso, mais uma vez, o Coneufes se mostra como espaço adequado para desfazer esse possível equívoco junto à comunidade estudantil. Também aproveitamos o momento para solicitar do DCE uma resposta formal quanto a nossa solicitação de espaço para instalação do Plur@l nas dependências do Diretório, pedido feito no final de 2007.
Entendemos que a Universidade ocupa posição estratégica na formação de uma consciência crítica da sociedade a respeito das questões dos significados do gênero e da diversidade sexual, cabendo ao DCE e às lideranças estudantis promoverem uma vivência estudantil que rompa com valores preconceituosos e violentos. Nessa perspectiva, nos colocamos enquanto parceiros e manifestamos a nossa disposição para discutir e planejar políticas relacionadas a essa temática, a fim de que, enfim, possamos vivenciar a concretude da nossa vontade!!!
Um bom Coneufes a todas e todos!
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quarta-feira, 2 de abril de 2008
Matéria Mix Brasil
Uni-Pró Por Beto Sato e Ferdinando Martins |
Para muitos gays e lésbicas, o período universitário é o mais adequado para sair do armário. Mais adultos e independentes, afastados do jugo familiar, os estudantes encontram momento propício para sair do armário. Há cerca de uma década, grupos organizados começaram a surgir dentro das próprias universidades para constituir-se tanto como espaço de sociabilidade quanto de luta de direitos, dentro e fora do ambiente acadêmico. Antes disso, a militância gay e lésbica nesse ambiente era mal carregada no bojo dos movimentos de esquerda que proliferavam nos campi como forma de resistência à ditadura militar. No entanto, nem sempre a esquerda brasileira sabe lidar com a homossexualidade.
Hoje, depois da visibilidade ganha com a Aids e as paradas GLBT em todo o mundo, foi possível que estudantes universitários gays se organizassem para combater o preconceito e a homofobia dentro do próprio ambiente escolar. O recente caso do casal lésbico ter sido constrangido por uma policial na USP Leste mostra a importância desses grupos. Foi o Diretório Central dos Estudantes da USP que organizou beijaço e manisfestações de apoio às meninas que mobilizou inclusive parte dos estudantes simpatizantes da Universidade.
Um dos primeiros grupos que se tem notícias foi o Caehusp - Centro Acadêmico de Estudos Homoeróticos da USP. Formado por iniciativa do estudante de Letras Elias Lilikã, o Caehusp reunia alunos de diversas unidades e promovia reuniões e eventos sobre homossexualidade e cultura, além de publicar um jornal próprio. O ex-aluno da Faculdade de Direito do Largo São Francisco Daniel, lembra que o grupo foi importante para sua saída do armário. "Eu morava no CRUSP (residência estudantil da USP) e já tinha até relacionamentos gays, mas preferia dizer que era hétero. As pessoas ficavam convencidas porque sempre fui muito sério. No entanto, isso incomodava Fernando, meu namorado. Foi ele quem me levou para reuniões na casa do Elias, que também era morador do Crusp. Foi ali que comecei a ter mais confiança para assumir publicamente".
O Caehusp funcionou no início dos anos 90, quando a homossexualidade começava a ganhar mais visibilidade no Brasil. Hoje, a USP conta com outro grupo, institucionalizado dentro do próprio Diretório Central dos Estudantes. O Prisma, como é chamado, existe desde agosto de 2002 e se define como Grupo Permanente de Trabalho do DCE. Isso significa, segundo Rick Ferreira (foto), seu atual coordenador, que não importa qual chapa ocupe a executiva do diretório, o grupo irá permanecer.
O Prisma, aos poucos, vou ganhando legitimidade no interior da USP e, hoje, segundo Ferreira, a atual reitora, Suely Vilela, pretende instituir grupo de trabalho sobre a diversidade sexual. "As resistências que enfrentamos vêm dos estudantes. Muitos deles não se envolvem. Não queremos ser uma ONG GLBT dentro da universidade, mas consideramos importante que o corpo acadêmico - professores, alunos e funcionários, se envolvam na discussão".
A fala de Rick evidencia que as mudança estão se processando. O quadro é muito diferente do que havia há alguns anos, no entanto muito trabalho ainda precisa ser feito. Foi por isso que, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da própria USP, o estudante Felipe Tonelli, junto com amigos, fundou a chapa Purpurina, para concorrer às eleições do Centro Acadêmico. "Quando começamos, muita gente não levou a sério. Os colegas só cairam na real no dia do debate entre as chapas". A chapa [Purpurina], foi criticada por parte dos alunos. "Foi muito interessante pois serviu para todos enxergarem que existe a diversidade aqui dentro da São Francisco também".
Segundo ele, há muito preconceito ainda. "No começo, escutei coisas do tipo "esse assunto você não precisa compartilhar, pode te prejudicar na carreira", além de ouvir piadas pelas costas. Ele lembra que alguns alunos, ao ver o cartaz do Purpurina, exclamavam "Até isso vai ter aqui!"
Ele afirma que as coisas mudaram. "A homoafetividade não era explícita, mas hoje já é possivel identificar alguns casais - mesmo que ainda impere a postura de ter uma imagem menos polêmica possível", declara. No último dia 24 de novembro, até uma festa gay ocorreu no centro acadêmico.
As dimensões assumidas pelos grupos gays dentro das universidades têm adquirido uma grande proporção a ponto de já terem sido organizados três encontros. O Enuds, Encontro Nacional Universitário sobre a Diversidade Sexual, foi realizado em novembro na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, no Rio de Janeiro. Em todo o país, há cerca de 20 grupos organizados dentros das universidades, alguns vinculados aos centros acadêmicos e diretórios estudantis e outros independentes.
Além disso, grupos formados para combater e discutir temas como opressão e direitos humanos acabam incorporando a temática da diversidade sexual, como é o caso Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação, Enecos, e do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal Paulista, Unifesp.
Os dilemas enfrentados pelos grupos são vários. Além do preconceito de outros estudantes e da falta de participação de homossexuais que preferem o anonimato, algumas questões políticas se impõem. Por exemplo, participantes do último Enuds ficaram constrangidos com a tentativa de dominação do encontro por determinado partido político, que incentivava os gays e lésbicas a se engajarem em movimentos contra a Alca e o governo Lula. Felizmente, o partidários não obtiveram sucesso em sua tentativa de desviar o Enuds para outros tipos de discussão. Também incomoda os militantes o fato dos transgêneros ficarem de fora. Na USP, há dois estudantes trans, mas que preferem ficar alheios ao movimento.
O âmbito dos grupos pode também ultrapassar os muros das universidades. É esse o caso do Plural, que surgiu na Universidade Federal do Espírito Santo. Segundo Luís Cláudio Kleain, outras pessoas de fora do campi passaram a fazer parte das discussões. "Surgimos dentro do DCE, em um núcleo que discutia gênero e sexualidade. Hoje, ainda estamos alocados na UFES, mas a demanda de outras pessoas, especialmente em um estado com pouca militância GLBT como o Espírito Santo, fez com que ampliássemos a participação para pessoas de fora".
A tendência, felizmente, é que esses grupos proliferem em outras universidades. No Mackenzie, tradicional instituição de São Paulo, ainda não há grupos gays formados, mas recente publicação do jornal dos estudantes da Faculdade de Comunicação e Artes enfatizou que os homossexuais começam ganhar voz por lá. A publicação afirma que é como se não existissem gays no campus, mas o cenário parece estar mudando.
Disponível em: http://mixbrasil.uol.com.br/pride/pride2005/militantes_universitario/militantes_pro.shtm
segunda-feira, 31 de março de 2008
Entrevista Luiz Cláudio Kleaim
Postado no Quarta-feira, 7 novembro 2007 por universoufes
Gabriela Conti e Nadia Vaccari
O podcast de hoje vai falar sobre o Plural, um grupo formado por universitários da Ufes que se reúnem para discutir a questão da sexualidade no meio estudantil.
Entrevista com Luiz Claúdio Klein
” O Plural surgiu mais ou menos em 2004, com uma reunião de alguns estudantes de vários cursos da universidade para discutir a questão da sexualidade, do gênero no meio estudantil.”
“A gente se encontra no Centro de Vivência. A gente marca pela lista do grupos, grupoplural@yahoogrupos.com.br, a gente marca num horário que a maioria possa participar e discute as questões.”
“A gente discute temas gerais… tem gente nova? Vamos discutir gêneros ou temas atuais como a teoria Queer ou Bare Backing.”
